CUIDADOS BASICOS (Febre do leite).

       Febre do leite
A febre do leite (febre vitular) é a perturbação digestiva mais comum das vacas adultas já de idade avançada, que as afeta no período do parto. Quando uma vaca tem febre do leite, não come, fica deitada com a cabeça pendida para um lado e não pode levantar-se. Para além disso, está com os olhos fixos, as orelhas frias e o focinho seco. Se não for tratada, pode morrer.

A causa principal é uma alimentação inadequada no que diz respeito ao mineral cálcio. Isto ocorre quando a vaca tem sido alimentada com demasiado alimento concentrado, durante o período seco, antes de ter um parto. A vaca deve ser alimentada como se estivesse a produzir 5 kg de leite por dia e não se lhe deve permitir que fique gorda. Se uma vaca tiver uma história relativa à febre do leite, no início não se deve ordenhá-la completamente.
Tomar medidas imediatas quando uma vaca tiver febre do leite.
 É necessário que o animal receba cálcio adicional, preferivelmente por injeção na circulação sanguínea, efetuada por uma pessoa experiente.


reproducao

Reprodução

 sem produção nao ha produção

 Uma vaca tem que parir antes de poder começar uma nova lactação. A prenhez ocorre apenas depois de a vaca ser coberta adequadamente durante o período de cio. A duração do intervalo entre partos é determinada pelo tempo que transcorre entre um parto e a seguinte concepção. Isto afeta a duração do período de lactação e, em combinação com a idade da vaca aquando do primeiro parto, tem um efeito significativo na produção leiteira da vaca durante toda a sua vida.
DETECÇÃO DUMA VACA EM CIO
SINTOMAS
Uma vaca em cio indica que está pronta para a reprodução e que, com uma cobrição adequada, está pronta para ficar prenhe. Os sintomas de cio são:
.O animal está desassossegado, muge e tenta atrair a atenção de outros animais.
.Tenta montar outras vacas, fareja-as e convida-as para a montar e farejar.
.Durante o estado de pleno cio a vaca tem um reflexo de imobilização, de forma que fica quieta e deixa-se montar. Este é o sintoma mais seguro do cio e indica que o momento é apropriado para a vaca ser coberta (quer de modo natural ou artificialmente).
. Possivelmente a vaca tem lodo nos flancos devido a ter sido montada anteriormente. O pelo no lombo, na zona pélvica e na raiz da cauda está revolto ou, às vezes, ausente.
. Os lábios da vulva estão avermelhados e levemente inchados.
. Secreção de um muco aguado, claro, da vulva, que pode estar colada à cauda.
. Muitas das vezes, a produção leiteira é inferior à normal e a vaca comporta-se duma maneira diferente.

. Depois do cio o animal pode produzir uma leve secreção de muco sanguinolento nos quartos traseiros e na cauda.

Figura 13: Sintomas do estado de cio
A: tenta montar outras vacas
B: estado de pleno cio; fica quieta e deixa-se montar
C: fareja outras vacas
As bezerras após a puberdade e as vacas não prenhes devem entrar em cio cada 3 semanas ou 18 a 23 dias. Portanto, o registo dos casos de cio detectados facilita vigiar o animal depois de 18 a 23 dias para ver se entra, de novo, em cio. Se a vaca tiver sido inseminada e não entrar em cio, poder-se-á presumir que ficou prenhe.
PROCEDIMENTOS PARA A DETECÇÃO DO CIO
O cio normal leva entre, aproximadamente, 8 a 12 horas. Por conseguinte, recomenda-se observar as vacas, no mínimo, três vezes por dia durante 10 a 20 minutos, para detectar sintomas de cio. Um touro consegue sempre detectar uma vaca em cio mas, muitas das vezes, mantêm-se os touros separados das vacas, de modo que o próprio produtor pecuário deve reconhecer os sintomas do cio. Quando as vacas estão a pastar, conjuntamente, num rebanho, não é difícil reconhecer um animal em cio, visto que as outras vacas a montam. Será mais difícil detectar uma vaca em cio quando os animais se encontram num estábulo mas, mesmo assim, se os animais puderem andar livremente no estábulo, ainda se podem montar uns aos outros. Contudo, se as vacas estiverem atadas no estábulo a detecção dos animais em cio será difícil. Nesse caso, o produtor pecuário deve ser mais vigilante para detectar outros sintomas, como sejam desassossego, mugido e um declínio da produção leiteira, e verificar se a vulva está inchada e avermelhada.
COMPLICAÇÕES QUANTO À DETECÇÃO DO CIO
Em condições em que a temperatura ambiente é elevada, as vacas apresentam, muitas das vezes, sintomas do cio durante as horas mais frescas do dia, particularmente de noite. Nos climas quentes, o cio tem, muitas das vezes, uma duração mais curta, quer dizer, de 6 a 8 horas, de forma que a sua detecção é mais difícil. Contudo, observações frequentes, particularmente cedo de manhã e tarde de noite, ajudam a detectar o cio.
As vacas que não são sadias, não entrarão em cio ou não apresentarão sintomas claros do seu estado de cio. O mesmo ocorre com as vacas que têm uma condição má ou que perdem peso devido a uma alimentação inadequada, uma produção de leite elevada no período pós-parto, ou uma doença.

RECONHECER UMA VACA NO CIO.

COBRIÇÃO E SELEÇÃO

Quando uma vaca tiver sido identificada como estando em cio, pode ser levada para um touro para se efetuar uma cobrição por monta natural ou pode ser inseminada artificialmente. Se houver um touro na presença das vacas, este encarregar-se-á da cobrição natural. Contudo, o produtor pecuário deve registar isso para se determinarem as datas da secagem e do parto seguinte.
Se houver um programa de inseminação artificial (I.A.), poder-se á desejar fazer uso deste tipo de serviço para que as vacas em cio
fiquem prenhes. De notar que uma inseminação deve efetuar se sempre durante a segunda metade do período de cio, preferivelmente 6 - 12 horas após os primeiros sintomas do cio. Para a cobrição por monta natural deve-se apresentar a vaca ao touro quando esta tiver o reflexo de imobilização (sinal de pleno cio). Uma regra geral é que as vacas que, durante a manhã, forem detectadas como estando em cio, devem ser cobertas na tarde do mesmo dia e aquelas que entrarem em cio durante
a tarde devem ser cobertas de manhã cedo no dia seguinte.
Se uma vaca tiver que esperar para o serviço da inseminação artificial, deve ter mantida, preferivelmente, na sombra e ser-lhe dada água para se evitar um aumento da temperatura corporal. Deve-se ter cuidado para que não se produza stress (devido ao calor), visto que isto reduziria a taxa de concepção. Para se obter um melhoramento genético é importante selecionar cuidadosamente o touro ou o sémen adequado. Em zonas de potencial elevado e em condições de bom maneio, pode se considerar o cruzamento do gado local com um touro de raça leiteira.
Nas regiões tropicais húmidas, uma opção potencial é o cruzamento com raças leiteiras de zebu, como sejam a Sahiwal e a Red Sindhi. A escolha do touro deve efetuar-se com cuidado, mesmo se for dentro das mesmas raças, tomando em consideração a vaca que se pretende produzir e as condições específicas vigentes na exploração agropecuária. Recomenda-se vigorosamente recorrer ao aconselhamento de especialistas locais. Pode-se efetuar a cobrição duma vaca a partir do segundo período de cio depois dum parto, quer dizer, após, aproximadamente, 45 a 50 dias. Durante o primeiro cio efetua-se a última parte da recuperação pós-parto do útero e, nesse momento, as probabilidades de concepção são reduzidas. Se uma vaca, depois de ser coberta, entrar outra vez em cio, depois de, aproximadamente, 3 semanas, é óbvio que a concepção não foi efetuada, de forma que a vaca necessita de ser coberta outra
vez.
INTERVALO ENTRE PARTOS
O intervalo entre partos é o período que decorre entre dois partos sucessivos. O intervalo ideal entre dois partos é de um ano (12 meses).
É possível dividi-lo em dois períodos separados, quer dizer, um período aberto, que é o período entre o parto e a concepção, e um período de gestação ou prenhez. Como a duração da prenhez constitui um período fixo de 9 meses, o intervalo entre partos depende, completamente, da duração do período aberto.
O período aberto deve ter uma duração de, aproximadamente, 3 meses, o que implica que para uma vaca sadia que entra em cio a 50 dias após o parto, esse momento é apropriado para fornecer-lhe o serviço de cobrição. Contudo, em muitas explorações agropecuárias o período aberto é muito mais prolongado que 3 meses, devido às vacas não entrarem em cio, ou a não se detectar o cio, ou à cobrição não ter êxito.
O resultado é que o intervalo entre partos é mais longo, tendo, muitas das vezes, uma duração de 15 meses, ou até superior.

Quanto mais curtos os intervalos entre os partos, tanto maior a produção total do animal durante a sua vida. Em todo caso, deve-se pretender manter intervalos entre partos com uma duração inferior a 15 meses ou 450 dias. Isto coincide com uma taxa de partos de 80 % ou até mesmo superior.

Figura 14: Resumo esquemático de um intervalo ideal, de 12 meses, entre dois partos sucessivos.
Tradicionalmente, a taxa de partos é expressa como uma parte dum ano inteiro ou 365 dias. Uma taxa de partos de 100 % implica que todas as vacas têm partos a intervalos médios de um ano. Uma taxa de partos de 80% implica que o intervalo entre partos tem uma duração de (365:80) x 100 = 456 dias (quer dizer, de aproximadamente 15 meses). Um intervalo médio entre partos de 425 dias fornece uma taxa de partos de 365 x 100/425 = 86 %
PERÍODO SECO
Duma forma ideal, o período de lactação leva 305 dias. Em combinação com um período seco de 60 dias, isto fornece um intervalo ideal entre os partos, de um ano. Muitas pessoas acham que uma nova gestação afeta negativamente a produção de leite da vaca. Isto não ocorre até decorrer o sexto mês da prenhez. Quanto mais curtos os intervalos entre partos, tanto mais lactações a vaca terá durante a sua vida. Para além disso, se uma vaca tiver um período seco mais prolongado, pode ficar demasiadamente gorda. Isto terá um efeito futuro negativo no que diz respeito à lactação seguinte, de forma que o animal produzirá menos leite. É melhor manter-se um intervalo entre partos com uma duração curta e um período seco estandardizado de 2 meses. Para além disso, uma vaca lactante, mesmo se a produção leiteira for reduzida, apresenta uma ingestão de alimentos e digestão mais eficientes do que uma vaca seca. Portanto, deve-se continuar a ordenha mesmo até 2 meses antes de o animal ter parido. Desta forma tanto o animal como o produtor pecuário ficam beneficiados.

Se uma vaca viver 6 anos depois do primeiro parto, as variações no intervalo entre partos terão grandes consequências para a produção total durante a sua vida. Contudo, as necessidades de alimentação destas vacas e outros custos respeitantes à criação variam muito pouco. Isto mostra que o intervalo entre os partos e a duração da lactação são sumamente importantes para a
 entabilidade do gado leiteiro. Ver o Quadro 10.
Quadro 10: Vacas com 6 anos produtivos após o primeiro parto e uma produção média de 2000kg/lactação


LACTAÇÃO
Uma curva de lactação normal duma vaca sadia e bem alimentada atinge o ponto culminante após, aproximadamente, 6 a 8 semanas depois do parto. A partir desse momento a produção diária de leite estabiliza- se e declina lentamente para atingir a secagem 60 dias antes da data prevista do parto seguinte.
Muitas das vezes, a curva de lactação segue o padrão normal até o ponto culminante, mas a partir de aí a produção de leite apresenta um declínio brusco e, depois de certo tempo, sobe levemente (ver a Figura 6). Isto deve-se, principalmente, a uma alimentação não adequada, de modo que durante a produção de pico, a vaca esgota os alimentos e também as suas reservas corporais, tornando-se muito magra e a sua produção leiteira baixa. Quando recuperada desta deficiência alimentar, a vaca aumentará, de novo, a sua produção leiteira, mas a um nível muito inferior à sua capacidade. Portanto, perder-se-á uma grande quantidade da produção potencial de leite. Para além disso, levará muito tempo até esta vaca ficar prenhe de novo, de modo que o intervalo entre partos se torna muito longo. Por conseguinte, é muito importante fornecer alimentos grosseiros de boa qualidade e quantidades generosas de concentrados às vacas que estão na fase inicial da lactação.
Deste modo evitar-se-á um declínio brusco da produção leiteira depois da produção de pico.



Figura 15: Curva de lactação duma vaca alimentada de forma inadequada durante a fase inicial da lactação.

CUIDADOS COM A MASTITE

Mastite


A mastite ou infecção do úbere é um problema comum nas explorações leiteiras. A mastite pode ser crónica ou aguda. Sintomas da mastite aguda são: leite de consistência anormal com grumos, de cor diferente, aguado e com um mau cheiro. A área infectada do úbere fica dolorosa, dura e, às vezes, inchada e avermelhada. A ordenha da vaca infectada é difícil e a sua produção leiteira fica diminuída. A infecção ocorre, na maioria das vezes, mesmo após a ordenha quando a teta ainda está aberta de modo que as bactérias podem entrar facilmente.

Figura 12: Para descobrir precocemente um caso de mastite crónica será útil empregar uma caneca de fundo preto para teste de mastite, no qual se recolhe o primeiro leite. Ao ordenhar uma vaca que sofre de mastite crónica, os primeiros jorros de leite são aguados e contêm grumos miúdos.

Tentar prevenir a mastite através das seguintes medidas:
 Manter a higiene do ordenhador , do edifício, do equipamento e do gado é sempre muito importante.
 Os ordenhadores devem usar vestuário limpo, lavar as mãos e manter as unhas aparadas.
Manter os úberes tão limpos quanto for possível tosquiando-os e
fornecendo uma cama limpa no estábulo do gado.
Se o úbere não estiver muito sujo, utilizar mesmo um pano seco
para remover qualquer sujidade solta.
Se for necessário empregar água para a limpeza do úbere, acrescentar um desinfetante ligeiro, mudar frequentemente a água e os vestuários
e secar bem os úberes, preferivelmente com toalhas de papel.
Após a ordenha, desinfetar as tetas através dum mergulho ou com
um spray.
Alimentar as vacas depois da ordenha de modo que não se deitem
durante a primeira hora após serem mungidas.
Nas explorações agropecuárias que se vêem enfrentadas com graves problemas de mastite pode-se aplicar um antibiótico com efeitos duradouros para tratar todos os quartos durante o período de secagem do gado.
Se uma vaca tiver mastite, deve-se:
Ordenhar e aplicar massagens na parte infectada tanto quanto possível, por exemplo cada duas horas. Também será útil lavar o úbere alternadamente com água quente e água fria e aplicar massagens
com uma pomada.
Consultar um funcionário veterinário e aplicar antibióticos na área
infectada. O leite das vacas tratadas não deve ser consumido!
Ordenhar os animais infectados como últimos e enterrar o leite infectado.
Limpar, meticulosamente, as mãos depois de ordenhar o quarto
infectado do úbere.
Levar a cabo uma inspeção meticulosa das demais vacas para verificar se há sintomas de mastite, com uso de uma caneca de fundo preto para teste de mastite.
Selecionar as vacas com mastite crónica ou incurável para retirá-las do rebanho.

SUPLEMENTAÇÃO LIQUIDA.


Um jeito diferente de engordar a pasto
No cocho (feito com caixa d'água plástica), um líquido viscoso e escuro como chocolate em calda atrai a atenção do gado. Os animais se aproximam e começam a lambê-lo. Saem para pastejar um pouco e voltam novamente ao cocho, deitando-se ali por perto. Não se vêem instalações típicas para oferta ou armazenamento de sal mineral. O recipiente plástico fica a céu aberto, sem proteção contra chuva. Estas são imagens pouco comuns nas fazendas brasileiras, mas que ilustram um conceito diferente de alimentação animal: a suplementação líquida. Mistura de fontes minerais e energértico-protéicas, ela pode ser usada na engorda de bezerros (via creep-feeding), na manutenção de vacas de cria e também na terminação de novilhos, que chegam a ganhar 1,2 kg/cab/dia.
 “Fazíamos semiconfinamento, fornecendo aos animais ração pronta. Mas seu custo operacional era alto. Precisávamos trazer o produto de Rondonópolis (MT) e armazena-lo em ambiente controlado. Quando chovia, era um transtorno: condicionados ao trato, os bovinos ficavam esperando a ração, mas não podíamos fornecê-la. Além disso, para tomar conta do semiconfinamento, ocupávamos no mínimo dois peões, responsáveis por dois tratos diários. Em 2001, decidimos experimentar a suplementação líquida e nossa rotina mudou completamente. Um peão passou a cuidar de tudo. O outro foi direcionado para serviços gerais. A armazenagem do produto é simples e, quando chove, ele não se perde”, garante Marco Túlio Bacio Cardoso, administrador da Fazenda Entre Rios, no município de Sud Mennucci (SP), próximo à fronteira com o Mato Grosso do Sul



VANTAGENS OPERACIONAIS A propriedade de 1.936 hectares pertence ao Grupo Triunfo e dedica-se exclusivamente à engorda, terminando a pasto, com suplementação líquida, cerca de 3.400 bois/ano. Os cochos são reabastecidos a cada dez dias, propiciando economia com combustível e manutenção de máquinas. “Os peões deixaram de trabalhar nos finais de semana (como é rotina no semiconfinamento tradicional), eliminando horas extras. Para completar: o desperdício é mínimo”, explica Cardoso.
Na Fazenda Entre Rios, a ração líquida é armazenada em tanques para 1.000 litros e tem durabilidade de um ano (veja composição nutricional mais adiante). Quando necessário, basta transferi-lo (com ajuda de uma bomba e mangueiras) para um recipiente vazio alojado na carroceria do caminhão, e depois, distribuí-lo nos cochos. Também pode-se utilizar tambores de 60 kg, deixando-os no pasto para facilitar o abastecimento. Cardoso usa um cocho plástico de 500 litros para cada 75 animais.
Segundos ele, quando chove, a água não se mistura ao produto. Por ser mais denso, ele fica em baixo e a lâmina d`água se deposita em cima, sendo rapidamente consumida pelos animais. Para evitar pisoteio e subpastejo em algumas áreas, o cocho é transferido de lugar periodicamente. “O sistema é tão prático que chegamos a engordar 6.000 cabeças, em uma propriedade arrendada  apenas com dois funcionários”, garante.
Na Entre Rios, os novilhos são mantidos em pastos rotacionados de braquiarão. MG-5, tanzânia e mombaça, recebendo suplemento líquido tanto no período da seca quanto das águas, pois a fazenda tem dois ciclos de terminação: um com início em fevereiro e outro em agosto/setembro. No primeiro, o produto é fornecido durante seis meses e no segundo, durante quatro, pois a pastagem em dezembro/janeiro está no auge, permitindo altos ganhos.
Além da Entre Rios, o Grupo Triunfo possui mais duas unidades de engorda, as fazendas Santa Terezinha, em Paraguaçu Paulista-SP e Herdade, em Itapira-SP, Mantendo em Campo Grande uma “vitrine” de gado puro (o Brahman Center Triunfo) para venda de reprodutores dessa raça. Já a recria é feita nas fazendas Eldorado, no município de Gália-SP e Andradina em Campinápolis-MT. Todas essas propriedades e outras arrendadas pelo grupo trabalham com suplementação líquida (cerca de 10.000 cabeças tratadas por ano). A única exceção é a fazenda Nova Bandeirantes, no Mato Grosso, especializada em cria. Ela tem difícil acesso e está muito distante da empresa fornecedora dói produto, o que torna seu uso economicamente inviável.


CUSTO X BENEFÍCIO – Aliás, o custo dessa tecnologia no Brasil gera certa polêmica. Muitos técnicos costumam não recomendá-la na engorda de bovinos, argumentando que seu preço é pouco competitivo frente aos das rações sólidas. Segundo Fernando Loureiro Lima, diretor comercial da Anipro – empresa do grupo norte-americano XF Enterprise, que comercializa suplementos líquidos no País desde 1996 – em certas regiões, realmente é difícil competir com produtos convencionais por causa do frete, mas esses casos são exceção. “Nas áreas onde se concentra a maior parte do rebanho bovino brasileiro, nosso produto apresenta excelente relação custo x benefício, permitindo seu usos, inclusive, de forma estratégica, como fez o Grupo Triunfo em 2003”, diz ele.Loureiro conta que, na época, essa empresa precisou engordar 5.400 bois de 3,5 anos rapidamente. Os animais haviam sido recriados a pasto apenas com sal mineral, e, no final de maio, estavam com 14@, devendo seguir para terminação em boitel. “Sugerimos que o lote recebesse ração líquida durante um período curto, pára entrar no confinamento com 15@, economizando diárias. A experiência revelou-se um ótimo negócio”, explica o técnico da Anipro. Tratados durante 70 dias, os bovinos ganharam 30 Kg de peso ao custo de R$ 31,40/cab/período, ficando 21 dias a menos no boitel. Com isso, a empresa deixou de desembolsar R$ 67,2/cab, já que a diária, na época, custava R$ 3,20 por boi. Ou seja, ela economizou R$ 35,8/cab.
“No semiconfinamento que fazemos, a suplementação líquida também desempenha papel estratégico, pois permite terminar duas boiadas por ano”, ressalta Cardoso, administrador do Grupo Triunfo. “Entretanto, ninguém precisa seguir nosso modelo, que pressupõe tratar os animais durante quatro/seis meses. Consideremos, por exemplo, que um pecuarista suplemente seus animais por apenas 30 dias, visando consumo diário de 482 g/cab e ganho de 725 g/cab (21,75 kg/cab/período). Como o quilo do suplemento custa R$ 0,93, terá despesa de R$ 13,44/cab/mês ou R$ 0,61 por Kg de peso vivo.
Se usar ração comercial com 18% de proteína, fornecida na proporção de 1% do PV (4,5 Kg cab/dia), obteráganho diário maior (910 g/cab) ou 27,3 Kg/cab/mês , mas seu custo também subirá. Ele gastará R$ 60,75/cab/mês ou R$ 2,22 por Kg ganho, considerando-se o quilo da ração a R$ 0,45. E nem contabilizei itens como mão-de-obra e combustível”, diz ele.


CONCEITO – Marco Túlio Cardoso lembra, entretanto, que esses são números da Entre Rios. Cada pecuarista deve fazer suas próprias avaliações econômicas, com base em cotações locais. Avaliações que o presidente mundial da Anipro, Wes Klett, enfrenta com tranqüilidade. “Um produto só é caro quando não dá resultado. A meu ver, não é o preço que limita a difusão da suplementação líquida no Brasil, mas o desconhecimento dos pecuaristas quanto a seu funcionamento e benefício. Isso acontece porque ainda existem poucas pessoas trabalhando o conceito a campo. Se tivéssemos mais concorrência, mais empresas comercializando o produto, a demanda seria maior. Nos Estados Unidos, existem cerca de 50 fabricantes. Essa grande competição dá credibilidade, ativa o mercado”, salientou ele em entrevista exclusiva à DBO, durante uma de suas visitas ao País.
Hoje, no Brasil, apenas a Anipro e a Líquida Nutrição Animal ofertam esse tipo de produto. Ambas têm sede em Campo Grande e, embora possuam representantes alguns Estados, a comunicação com os pecuaristas continua muito circunscrita. “Vamos atacar esse problema com contratação de novos representantes e maior divulgação da tecnologia. Na região de Campo Grande, já implantamos o sistema full-service  (entrega a domicílio). Caminhões-tanque colocam o suplemento a granel diretamente nas propriedades, fazendo, inclusive, o controle de consumo. Assim, o produtor não precisa mais estocar o produto e só paga o que é colocado no cocho”, informa Antônio João de Almeida, ex-professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e hoje diretor técnico da Anipro. 
Stefan Kurmannproprietário da Líquida Nutrição Animal, também planeja fazer sua empresa presente em mais Estados, além de participar de feiras agropecuárias, como a Expo-Grande, em abril. Porém, nossa prioridade é a fidelização dos clientes, por meio de atendimento personalizado nas fazendas, explica ele.
A Líquida foi fundada em 2004, atuando principalmente nos Estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Kurmann também acredita que a principal barreira enfrentada pela tecnologia no Brasil é a desinformação. “Depois que o pecuarista entende como o produto funciona e comprova seus resultados, dificilmente deixa de usá-lo”, garante.
CONSUMO – Segundo Kurmann, quanto maior a ingestão, mais rápida a engorda. Ele tem investido em formulações para alto consumo (cerca de 1 kg/cab/dia, visando ganho diário de 1,1 kg por bovino), mas diz que a palavra final é do cliente. Laurindo Saito, por exemplo, dono da Fazenda Pontal da Água Limpa, em Ribas do Rio Pardo (MS), prefere trabalhar com uma oferta diária de 500 g/cab. Trato os animais apenas nos últimos 40-50 dias de engorda, para atingirem 400 kg/cab. Antes não conseguia terminá-los nas águas com este peso. Cheguei a fazer algumas experiências com torta de algodão e farelo de soja, mas achei o suplemento líquido mais fácil de ministrar”, diz o criador, que gasta R$ 0,40/cab/dia com a suplementação (menos de uma arroba por período). Na seca, como a disponibilidade de forragem cai, Saito aumenta a oferta do produto.
Vários técnicos apontam o controle de consumo como uma das dificuldades da suplementação líquida, mas as empresas que comercializam essa tecnologia discordam. “Os animais recebem diariamente a quantidade necessária para determinado ganho e confirmam, na balança, o desempenho esperado”, salienta Kurmann, da Líquida, cujos produtos não contêm reguladores de consumo. Já a Anipro, trabalha com dois compostos: um doce e outro azedo. Normalmente fornecidos juntos, o segundo (de cor escura) controla a ingestão do primeiro. “Se o pecuarista quer desempenho moderado, aumenta a quantidade do amargo, que funciona como um freio ou inibidor, a exemplo do cloreto de sódio no sal proteinado. Se quer elevar o ganho diário, trabalha com percentuais menores desse composto.
E se deseja máximo desempenho do animal, fornece apenas o doce, que é altamente palatável”, explica Fernando Loureiro, da Anipro.
Segundo ele, no Brasil, boa parte dos pecuaristas utiliza misturas contendo 80% do composto doce e 20% do azedo, visando obter ganhos entre 700 e 900 g/cab/dia. “Mas, esses percentuais não devem ser vistos como regra. Para definir qual mistura apresenta a melhor relação custo x benefício nas condições específicas de uma fazenda, é fundamental avaliar suas pastagens, sistema de manejo, clima, rebanho e vocação comercial”, salienta Loureiro. Para melhor adaptação dos animais, deve-se fornecer 100% do composto doce durante a primeira semana de trato e, depois, ir acrescentando o azedo aos poucos até o percentual desejado. Segundo Loureiro, é importante observar o cocho periodicamente para checar se a ingestão está satisfatória.
CREEP-FEEDING - Os produtos para creep-feeding normalmente não contêm inibidores de consumo, sendo fornecidos à vontade. Um estudo realizado na Fazenda Nhumirim, da Embrapa Pantanal, em agosto de 1997, envolvendo 40 bezerros tratados com suplemento líquido, registrou consumo de 90 g/cab/dia nos quatro meses de seca e ganho de 15,9 kg no período, enquanto o lote testemunha perdeu 3,4 kg/cab/dia. As mães dos bezerros suplementados também receberam ração líquida durante 189 dias, ganhando 51,6 kg e apresentado índice de natalidade de 81,5%. Das fêmeas não-tratadas, que engordaram 19,4 kg durante o experimento apenas 13,1% emprenharam.
Segundo Wes Klett, presidente mundial da Anipro, um erro clássico dos produtores é não investir em vacas com bezerro ao pé, principalmente quando o mercado de cria está em baixa. Michel Stevenson, que acompanhou Klett durante sua visita ao Brasil em outubro passado, também condena essa visão imediatista. Selecionador de Angus em Tulsa, Oklahoma, ele possui 6.000-7.000 matrizes, que há oito anos recebem ração líquida. Por dois motivos: a vaca desmama bezerros mais pesados em tempo mais curtos e mantém ótima condição corporal, que lhe garante melhor performance reprodutiva. “Nem preciso de creep-feeding. As fêmeas apresentam altos índices de prenhez, sem ter de ser separados dos bezerros, ao contrário do que ocorre por aqui”, assegura. Wes Klett acredita que a suplementação líquida vai ganhar força no Brasil, por isso instalou-se no País, fiel à filosofia de atuar em todos os grandes centros produtores de carne bovina. “Sabemos que existe uma barreira cultural à tecnologia. Os pecuaristas brasileiros estão acostumados com rações sólidas, têm dificuldade de mudar, por isso precisamos fazer um trabalho de esclarecimento e convencimento. Mas vejo tremendas oportunidades nessa terra, que tem o maior rebanho comercial do mundo. E estou confiante de que o produtor vai aderir à suplementação líquida, conforme for obtendo retorno econômico”, frisa o empresário.
Pesquisa da UFMS aponta ganhos com ração líquida em sistema de creep-feeding


Um pouco de história
A suplementação líquida não é uma tecnologia nova. Existem relatos de fornecimento de melaço de cana bovinos desde 1890. Inicialmente usando puro, esse produto incorporou o fósforo na década de 30 e depois a uréia, nos anos 50. com o tempo, foram adicionados outros nutrientes às formulações, como proteína verdadeira, lipídios, minerais, vitaminas, aditivos e até componentes homeopáticos.
 O país que melhor explora a suplementação líquida no mundo são os Estado Unidos, onde ela é empregada desde 1957, apresentado incremento anula de 10% nas duas últimas décadas.Segundo informa o veterinário Judson Vasconcelos, que faz doutorado na Texas A&M University, professores dessa instituição entrevistaram, em 2001, um grupo de 19 nutricionistas norte-americanos, responsáveis por confinamentos que terminam 13 milhões de bovinos/ano.
Esses especialistas afirmaram que 58,37% de seus clientes utilizavam suplementação líquida. Em 2000, foram comercializados no país 1,7 milhão de toneladas desse tipo de produto, 60% para confinamentos(feedyards). A tecnologia também é bastante difundida na Nova Zelândia e na Austrália, país já conta com sete fabricantes.


Composição nutricional
A uréia, fonte de nitrogênio não protéico(NNP), eleva a quantidade de proteína bruta presente no melaço, que é pobre nesse item. Contudo, segundo o veterinário Judson Vasconcelos, até pouco tempo boa parte do NNP contido na mistura líquida era desperdiçada, pois a uréia se degrada rapidamente, disponibilizando amônia em quantidade muito maior do que as bactérias do rúmen podem aproveitar. Esses microorganismos precisam que o nitrogênio proveniente da amônia seja liberado em sincronia com a energia contida na pastagem; para que possam sintetizar a proteína microbiana, essencial na nutrição de ruminantes. Como o capim é um alimento fibroso, processado de forma bem mais lenta, ocorriam desequilíbrios no processo e muito nitrogênio de perdia.
Esse problema foi parcialmente solucionado com a uréia “slow release”, que tem liberação gradual e não traz riscos de intoxicação para os animais. A utilizada pela Anipro chama-se Rumopro e é importada dos Estados Unidos. Pesquisas têm demonstrado que esse tipo de uréia aumenta a digestibilidade da pastagem entre 20% e 30%. Segundo Vasconcelos, é interessante lembrar ainda que, na ração líquida, os ingredientes não se separam. “Isso permite a adição de ionóforos e minerais com maior eficácia, pois não há possibilidade de consumo seletivo de ingredientes em condições de pastejo”, salienta.

Conheça as utilidades da ureia.



A uréia é um composto sólido, nitrogenado não protéico derivado do petróleo. Ao alcançar o rúmen do animal, através da enzima uréase é desdobrada em amônia e CO2, daí os microorganismos passam a usar essa fonte de nitrogênio para síntese de nova proteína.
A principal vantagem da uréia é permitir a economia de insumos sem comprometer a produtividade dos animais, e o melhor aproveitamento de alimentos com  teor de fibras (grosseiros).
A aptidão para o uso as amônia pelos microorganismos do rúmen é o fator mais importante na nutrição de ruminantes.
A proteína sintetizada através da uréia é também degradada no abomaso e intestino, e os aminoácidos (constituintes de proteína), são absorvidos e levados para os tecidos pelo sangue, onde poder ser utilizados para a síntese de nova proteína.

FATORES QUE INFLUENCIAM O APROVEITAMENTO DA URÉIA PELOS RUMINANTES

- A fonte e a quantidade de carboidratos são os fatores mais importantes para a síntese de proteína microbiana pelos microorganismos do rúmen.
- O nível de proteínas verdadeiras na dieta afeta a conversão de nitrogênio não protéico em proteína microbiana, portanto é imprescindível.
- Aminoácidos contendo enxofre, como cisteina, cistina e metionina, saem sintetizados pelas bactérias e incorporados à proteína microbiana.
- A idade a categoria animal e o tipo de exploração afetam o aproveitamento da uréia.
- A uréase pelo afto de ser produzida por bactérias, o liquida do rúmen apresenta uma alta atividade ureolítica. Por isso, a taxa de hidrólise da uréia do rúmen é quatro vezes maior que a capacidade de utilização de amônia pelas bactérias do rúmen.

OBSERVAÇÃO PARA UTILIZAÇÃO DA URÉIA

- As exigências nutricionais, devem estar satisfeitas em energia e minerais principalmente.
- A primeira regra pratica: o nitrogênio da uréia não pode ser maior do que 33% do nitrogênio total da dieta.
- A quantidade da uréia na ração não pode ser superior a 1% da matéria seca da dieta.
- Quando os animais são alimentados com concentrados, a uréia não pode ultrapassar 3% da mistura.
- Para uma margem de segurança, ministrar de 30 a 50 gramas de uréia para cada 100kg de peso vivo do animal, conforme o tipo de dieta e modo de administração.
- A uréia deve ser misturada homogeneamente no alimento concentrado para obter uma ingestão regular do alimento.
- As misturas contendo uréia devem ser fornecidas pelo menos duas vezes ao dia.
-O controle do consumo individual deve ser rigoroso.

TOXIDEZ DA URÉIA E PREVENÇÃO

Os sintomas de intoxicação incluem surdez, inquietação, tremores musculares, salivação excessiva, defecação constante, respiração ofegante, incoordenação motora, enrijecimento das pernas, empanzinamento (ventre aumentado), colapso circulatório, asfixia e morte.
A toxidez ocorre quando a uréia é fornecida de forma rápida, ou quando os animais estão fracos ou não adaptados à dieta com uréia, ou ainda quando não há fontes de carboidratos solúveis na dieta, ou quando a mistura não está bem feita.
A intoxicação é devida ao excesso de amônia no rúmen.
A melhor forma de adaptar o animal a dieta contendo uréia pelo aumento gradual semanalmente, até alcançar a ingestão da quantidade desejada. Deve-se iniciar com um quarto (25%), da quantidade total.

COMO UTILIZAR A URÉIA

Silagem: a silagem tem sido usada amplamente como veiculo para ministrar uréia nos animais. Trabalhos mostram que silagem sem nenhum aditivo foi incapaz de manter o peso vivo dos animais, e quando adicionou uréia, (0,5%) houve ganhos da ordem de 0,880kg por dia.
Uréia com cana-de-açúcar: A mistura de uréia com cana-de-açúcar é relativamente simples, deve ser utilizada a 0,5% no período de adaptação e a 1% após a segunda semana de uso. Para uma melhor performance dos animais, a cana-de-açúcar deve ser corrigida com minerais, proteínas e gordura.
Uréia com restos culturais: as palhadas (arroz, cevada, feijão, bagaço de cana) são caracterizadas pelo alto conteúdo de parede celular e baixo teor de digestibilidade. A utilização da uréia nas palhadas consiste em:
Preparar uma solução de 5% de uréia (5kg para cada 100 litros de água) aplicar esta solução de 0,5 litros por kg de palha, em seguida cobrir o material com lona plástica, vedando todos os orifícios. Após 3 semanas remover o material  e expor ao sol para secagem. Os seguintes resultados com palha de arroz foram obtidos: teor de proteína passou de 3% para 7,1%. A digestibilidade da matéria orgânica passou de 41% para 52%. Houve aumento na ingestão de matéria seca em 27%.
Uréia com concentrados: diversos trabalhos mostram que é necessário usar fonte de nitrogênio protéico quando se usa uréia (melaço, farelo de algodão, farelo de trigo e fubá de milho).
Tratamento de intoxicação: forçar o animal intoxicado a ingerir vinagre no inicio na intoxicação, seguindo-se i,a segunda ingestão de 3 horas após a primeira, de 3 a 5 litros por animal.

Qualquer duvida procurar técnico para esclarecimentos. Antes de utilizar qualquer tecnologia, fazer planilha de custo beneficio.    

PREVENÇÕES IMPORTANTES

PREVENÇÃO DE INFECÇÕES DE VERMES

UM ANIMAL QUE SOFRE DE UMA INFECÇÃO DE VERMES PERDE PESO E FICA DOENTE E, MUITAS DAS VEZES, TAMBÉM TEM UMA BARRIGA INCHADA. OS ANIMAIS JOVENS SÃO PARTICULARMENTE SUSCEPTÍVEIS A UMA INFESTAÇÃO COM VERMES GASTROINTESTINAIS, TRANSMITIDA ATRAVÉS DA PASTAGEM. OS VERMES DESENVOLVEM-SE BEM SOB CONDIÇÕES HÚMIDAS E QUENTES. LIMPEZAS REGULARES E CHÃOS DE ESTÁBULOS MANTIDOS SECOS AJUDARÃO A PREVENIR-SE UMA INFECÇÃO. UMA CRIAÇÃO ESTABULADA (COM ALIMENTAÇÃO NO ESTÁBULO) EM VEZ DO PASTOREIO AJUDARÁ A REDUZIR-SE O RISCO DUMA INFECÇÃO. EVITAR O PASTOREIO EM ÁREAS HÚMIDAS, OU UTILIZAR CURRAIS MÓVEIS EM TALHÕES DE PASTO LIMPOS. A DESPARASITAÇÃO É UMA PRÁTICA COMUM PARA OS ANIMAIS JOVENS, QUE COMEÇA A PARTIR DE UMA IDADE DE DOIS MESES, COM UM TRATAMENTO QUE SE REPETE CADA 3-4 MESES, ATÉ O ANIMAL ATINGIR, APROXIMADAMENTE, 2 ANOS DE IDADE. COMO A MAIORIA DAS INFECÇÕES OCORRE DURANTE A ESTAÇÃO DAS CHUVAS, EM MUITAS REGIÕES SERÁ ÚTIL APLICAR UMA VERMIFUGAÇÃO ANTES E DEPOIS DESTA ESTAÇÃO.

CONTROLE DE CARRAÇAS(CARRAPATOS)

AS CARRAÇAS OU CARRAPATOS PODEM CONSTITUIR UM PROBLEMA GRAVE, PARTICULARMENTE SOB CONDIÇÕES DE PASTOREIO. AS CARRAÇAS SUGAM SANGUE E INFECTAM O GADO COM DOENÇAS TIPICAMENTE TRANSMITIDAS ATRAVÉS DAS CARRAÇAS. HÁ MUITOS TIPOS DE CARRAÇAS. EMBORA NÃO TODOS OS TIPOS TRANSMITAM DOENÇAS, COM CERTEZA DEBILITAM O ANIMAL, DEVIDO À PERDA DE SANGUE QUE PROVOCAM. PARA ALÉM DISSO, CAUSAM FERIDAS QUE PERMITEM ÀS BACTÉRIAS ENTRAREM NA PELE, LEVANDO A UMA PERDA DO SEU VALOR
ECONÓMICO. AS CARRAÇAS TAMBÉM PODEM ATACAR O ÚBERE E CAUSAR A PERDA DUMA TETA, PROVOCANDO ASSIM UMA REDUÇÃO DA PRODUTIVIDADE DA VACA LEITEIRA.
OS PRODUTORES AGROPECUÁRIOS DEVEM VERIFICAR QUAIS SÃO AS MEDIDAS, PARA CONTROLAR DOENÇAS TRANSMITIDAS POR CARRAÇAS, QUE SE COMBINAM MELHOR COM O TIPO DE CARRAÇAS PRESENTES NO SEU GADO. ISTO DEPENDE DOS TIPOS DE CARRAÇAS PRESENTES NA REGIÃO, DAS CONDIÇÕES NA EXPLORAÇÃO AGROPECUÁRIA (RAÇAS DE GADO, SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO), DOS CUSTOS E BENEFÍCIOS DAS MEDIDAS E DOS SERVIÇOS VETERINÁRIOS DISPONÍVEIS.


FIGURA 11: CONTROLO DE CARRAÇAS

DOENÇAS E PREVENÇÃO

SE UM ANIMAL APENAS TIVER ALGUMAS POUCAS CARRAÇAS, ESTAS PODEM SER REMOVIDAS. À MÃO. ATUALMENTE, TAMBÉM EXISTE UM MEDICAMENTO PARA CONTROLAR AS CARRAÇAS, APLICADO SOBRE A PELE COM ABSORÇÃO EXCLUSIVAMENTE DÉRMICA (“POUR-ON”), E QUE PODE SER APLICADO FACILMENTE. CONTUDO, NA MAIORIA DAS SITUAÇÕES É PRECISO UTILIZAR SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS ESPECIAIS: OS CHAMADOS ACARICIDAS. CONTUDO, COMO OS ACARICIDAS NÃO DESTROEM APENAS AS CARRAÇAS, MAS TAMBÉM SÃO VENENOSOS PARA OS SERES HUMANOS E O GADO, É MUITO IMPORTANTE MANUSEÁ-LOS COM CUIDADO E SEGUIR AS INSTRUÇÕES DE USO FORNECIDAS PELO VENDEDOR. OS ACARICIDAS PODEM SER APLICADOS EM BANHOS DE MERGULHO, EM SPRAYS OU ESPONJAS. SE O ANIMAL NÃO TIVER MUITAS CARRAÇAS, DEVER-SE-ÃO APLICAR OS ACARICIDAS OU PYE-GREASE NAS PARTES DO CORPO PREFERIDAS PELAS CARRAÇAS, PARTICULARMENTE NAS PREGAS DE PELE. EMPREGAR A MISTURA APROPRIADA DO PRODUTO QUÍMICO E DE ÁGUA PARA O OBJETIVO ESPECÍFICO.
A FREQUÊNCIA DO TRATAMENTO DEPENDE DO TIPO DE CARRAÇA, DA RAÇA DO GADO E DA ESTAÇÃO DO ANO. A FREQUÊNCIA VARIA DE DUAS VEZES POR SEMANA PARA RAÇAS DE GADO EXÓTICAS, COMO SEJAM AS FRÍSIAS, NAS REGIÕES ONDE HÁ TEILERIOSE (FEBRE DA COSTA ORIENTAL DE ÁFRICA), A UMA VEZ POR CADA TRÊS SEMANAS PARA CONTROLAR CARRAÇAS BOOPHILUS QUE TRANSMITEM A BABESIOSE E A ANAPLASMOSE. TAMBÉM DEPENDE DO SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO E DOS CONTATOS DOS ANIMAIS COM OUTRO GADO EXISTENTE NA ALDEIA. SE UM ANIMAL SOFRER DE UMA DOENÇA TRANSMITIDA POR CARRAÇAS, DEVERSE- Á RECORRER A ASSISTÊNCIA VETERINÁRIA. FINALMENTE UMA SUGESTÃO PRÁTICA PARA O CONTROLO DE CARRAÇAS: MANTER ALGUMAS GALINHAS VELHAS AO REDOR DO ESTÁBULO. PARA ALÉM DE COLHEREM CARRAÇAS DO GADO EM DESCANSO NO MOMENTO DA ORDENHA, TAMBÉM SE OCUPAM EFICAZMENTE DE QUAISQUER LARVAS DE INSECTOS OU VERMES QUE APAREÇAM NA PILHA DE ESTRUME.

CONTROLE DA TRIPANOSSOMÍASE

A TRIPANOSSOMÍASE OU DOENÇA-DO-SONO É UMA DOENÇA PROVOCADA POR PROTOZOÁRIOS TRANSMITIDOS PELAS MOSCAS TSÉ-TSÉ. OS SINTOMAS SÃO ANEMIA (CARÊNCIA DE ERITRÓCITOS OU GLÓBULOS VERMELHOS DO SANGUE), PERDA DE SAÚDE, ABORTO, INFERTILIDADE E, SE O GADO NÃO FOR TRATADO, UM NÍVEL ELEVADO DE MORTALIDADE. A PREVENÇÃO E O CONTROLO DA TRIPANOSSOMÍASE DEPENDE, PARCIALMENTE, DAS MEDIDAS EMPREGUES A NÍVEL NACIONAL, INCLUINDO A ELIMINAÇÃO DAS MOSCAS TSÉ-TSÉ E A LIMITAÇÃO DOS CONTATOS ENTRE O GADO, ANIMAIS SELVAGENS E AS MOSCAS. NUMA REGIÃO ONDE EXISTE O RISCO DE CONTAMINAÇÃO POR TRIPANOSSOMÍASE, PODE-SE ADMINISTRAR UM MEDICAMENTO PARA PREVENIR QUE OS ANIMAIS FIQUEM DOENTES. O MOMENTO DE ADMINISTRAÇÃO E A DOSE DO MEDICAMENTO SÃO MUITO IMPORTANTES, PORTANTO DEVE-SE SEGUIR, METICULOSAMENTE, AS INSTRUÇÕES DE USO FORNECIDAS. PODE-SE EMPREGAR O MESMO TIPO DE MEDICAMENTO PARA O TRATAMENTO DE ANIMAIS QUE JÁ SOFREM DA TRIPANOSSOMÍASE. SE FOR NECESSÁRIO, PEDIR ASSISTÊNCIA A UM ESPECIALISTA.

PROBLEMAS DOS CASCOS

UMA VACA QUE TEM PROBLEMAS DOS CASCOS PODE FICAR COXA, MAS, PARA ALÉM DISSO, TAMBÉM PODE TER UMA DESCIDA CONSIDERÁVEL DA PRODUÇÃO LEITEIRA. OS PROBLEMAS DOS CASCOS PODEM SER PROVOCADOS POR INFECÇÕES OU PELO CRESCIMENTO DEFORMADO DOS CASCOS. A PREVENÇÃO CONSISTE NAS SEGUINTES MEDIDAS:
. ESTABULAÇÃO HIGIÉNICA. É NECESSÁRIO DISPOR DE CHÃOS LIMPOS, SECOS E BEM NIVELADOS. OS CHÃOS NÃO DEVEM SER ESCORREGADIOS, DE MODO QUE SE DEVE FAZER COM QUE A SUA SUPERFÍCIE NÃO SEJA DEMASIADAMENTE LISA.
. NUTRIÇÃO. RECOMENDA-SE REALIZAR UMA ALIMENTAÇÃO BEM BALANCEADA QUE CONTENHA SUFICIENTES ALIMENTOS GROSSEIROS, SEM SE FAZEREM MUDANÇAS DRÁSTICAS. NO CASO DE SE TRATAR DUMA DEFICIÊNCIA DE ZINCO, PODER-SE-ÃO MANIFESTAR PROBLEMAS DOS CASCOS.
. APARAGEM DOS CASCOS. OS CASCOS DEFORMADOS DEVEM SER APARADOS. PARA ESTE TRABALHO É NECESSÁRIO DISPOR-SE DE APTIDÕES ESPECIAIS DE MODO QUE DEVE SER LEVADO A CABO POR UMA PESSOA EXPERIENTE.

. PEDILÚVIO. SE OS PROBLEMAS OCORREREM COM FREQUÊNCIA, PODER-SE-Á CONSIDERAR APLICAR UM BANHO AOS PÉS COM UM DESINFETANTE (PEDILÚVIO).

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